
O forrozeiro Iuri VOZCOMUNICA:
Rio Real Bahia.
Pois é, Rio Real é a terra onde a minha avó nasceu. Ela se chamava, naqueles tempos idos de 1898, Barracão. E dona Emília, que saiu de lá aos quatorze anos só retornando dois anos depois, com uma filha recém nascida, e para onde nunca mais retornou, era filha de Angelo Lúcio dos Santos e de Joana Nunes dos Santos. Ele, capataz de uma fazenda, ela, do lar.Ele, negro, ela filha de índia com português. Conta a lenda que o luso atravessou o rio (quero crer que tenha sido o Real) para, na outra margem, ganhar dos nativos, terras e filha.É uma bela história, não?Mas não tenho o fio da meada. Tudo ficou por lá mesmo. No entanto, o sentimento atávico se mostoru quando cheguei naquele alpendre do Raposo e vi aquele matagal e o riacho lá no fundo. Senti que ali era mais do que a casa de amigos, ali era minha casa, minha terra, algo meu estava ali, e não tinha sido apresentado pelo mano Daniel mas... por algo que ultrapassava minha memória. Algo anterior a mim mas que meu sangue e meu coração sentiam e reviviam.
Lucia Ribeiro Bittencourt
